domingo, 30 de novembro de 2014

Conversas de criança #12: as estrelas e as luas

Há já alguns largos meses (acho que até já faz quase 2 anos, na verdade), comprei um projectorzinho para o quarto do pirralho. Trata-se de um objecto de maus acabamentos e que tem uma opção de som que é terrível e que já está banida há muito tempo.

O próprio pirralho já sabe papaguear que "o som da tataúga é muuuuuuito chato". E já aprendeu qual é o botão proibido e tudo!

Há coisa de dois anos atrás, o puto tinha 6 meses e não ligava nenhuma ao tal projectorzinho em formato de tartaruga. Quando fez um ano, arrancou as patas e a cabeça, que eram de peluche e muito mal coladas, e restou um fóssil de carapaça, com LEDs dentro, e com os recortes das estrelas permanecendo intactos.

Quando fez 2 anos, começou a achar piada e, finalmente, aos dois anos e meio, não quer outra coisa. Eu, que já me tinha arrependido de comprar aquilo pelo menos umas 300 vezes (mais vez, menos vez), agora tornei-me insuportável no meu alívio de mãe útil, no meu repetir incansável: "uf! afinal fiz bem em ter comprado a geringonça!". Já toda a gente sorri para mim com aquele ar condescendente de quem diz "sim, ok, fizeste uma boa compra porque o miúdo até gosta de ver o quarto forrado de estrelas e luas coloridas, mas não viria mal ao mundo se tal brinquedo não existisse na sua vida". Sim, mas ele fica feliz a apontar a tartaruga em todas as direcções e deixou de ter medo de estar às escuras. Agora até acha divertido e já quase privilegia "as estrelas e as luas" em detrimento do mobile que também projecta uma imagem hipnotizadora no tecto do quarto.

Ora, na manhã gelada de ontem, o piqueno acorda todo energético e chama pelo papá e pela mamã. O papá e a mamã resmungam, viram-se para o outro lado e continuam a desejar que o piqueno faça o mesmo. Mas não há hipótese. O sono de 6ª para Sábado está terminado.

E lá vamos nós ter com o pirralho. Somos recebidos com uma grande festa! Como sempre que é fim-de-semana! E não há manhã fria de inverno que não fique logo aquecida! :-D

Abre-se a janela, liga-se o aquecedor e brinca-se até a temperatura atingir um nível decente para se poder retirar as camadas de roupa com que o piqueno dorme (body, pijama e saco-cama-pijama polar. Para quem detesta mantas, tem que ser assim mesmo).
Mas...

- "Qué fechá janela!" (repetido em tom crescente, até que a janela seja fechada)
- "Qué estelas e as luas!"
- "Não, L.. Agora está na hora de trocar de roupa para irmos tomar o pequeno-almoço juntos e depois irmos brincar!" (com uma tentativa de sorriso contagiante no rosto)
- "Nãaaaaao! Qué as estelas e as luas!"
- "Ha ha! Agora vamos vestir para tomar o pequeno-almoço! As estrelas e as luas ficam para logo à noite, quando fores dormir. Ou então para daqui a umas horas, quando fores dormir a sesta!"
- ...
- "Mamã! Qé fechá janela! Qué domi a sesta!"

E esta, hein? XD


domingo, 16 de novembro de 2014

Conversas de criança #11: a ESA, os cometas e a Rosetta

Mostrei isto ao pirralho, acompanhado da devida (e simplificada) explicação:



E agora, de hora em hora é isto:

"Ó mamã! Outa vez as pedas! Qué vê!"

E fica pasmado a olhar e a ouvir. :-D



Disclaimer: juro que não fui eu que chamei pedra ao cometa! :-P

sábado, 15 de novembro de 2014

A perfeição da diversidade

Às vezes é assim. Há assuntos que se repetem mesmo sem que se queira muito. Mas dei de caras com uma imagem que me despertou aqui o bichinho da escrita e é para isso mesmo que serve um blogue. Escrever. E partilhar pensamentos.

Há dias, uma marca de lingerie sobejamente conhecida lançou uma campanha com uma fotografia de várias modelos de passerelle (ou com parâmetros corporais/medidas semelhantes) adornadas com os respectivos soutiens e cuecas.

Na imagem lia-se "The Perfect "Body"".

Logo estalou a polémica. Muitas queixavam-se que o corpo perfeito não era aquilo. Que a marca estava a querer, mais uma vez, transformar a Mulher numa escrava do seu corpo. Dos padrões. Das medidas. Outras diziam que "The perfect Body" era apenas o nome da linha de lingerie da marca (pois, como se esse nome tivesse sido escolhido de forma inocente. Yeah, right).

Os homens que se aventuravam a comentar, eram mais pragmáticos nos seus comentários: uns diziam que corpos assim eram esteticamente agradáveis. Outros diziam que não gostavam de ossos.

No fundo é só mesmo isto: uma marca a querer dar que falar. É só isto. Porque nem sequer se trata de uma questão feminista. Não é querer pôr a mulher a pensar que tem que agradar ao homem com lingerie bonitinha. Não é querer pôr a mulher a sentir-se bem consigo mesma, no seu corpo. Não é querer que as mulheres se rejam todas pelo mesmo padrão. Ponham uma coisa na cabeça: o que está na "cabeça" das marcas é, unica e exclusivamente, vender. E quando se desenha toda uma colecção de trapos (com medidas totalmente desadequadas, digo já), é preciso conseguir vendê-la. E não passa disso. É só buzz. Quanto mais se falar, melhor! Um tiro no pé? Nada disso! Fale-se mal ou bem, fala-se. E as pessoas compram. A fotografia anda a circular na internet.

Sobre a questão de agradar aos outros: como se vê pelos comentários, uns gostam de umas coisas, outros de outras. Não há "todos os homens gostam de mulheres de passerelle". Não há "todos os homens gostam de mulheres com curvas". Há diversidade. E a campanha da concorrência, que inclui medidas bem mais diversificadas do que a primeira marca, é mais inteligente (apesar de não ser uma aposta original. É apenas uma resposta!). A inteligência vende menos. É certo. Há que alertar para e divulgar o princípio da diversidade! ;-)


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Conversas de criança #10: como colocar um sorriso no rosto de uma mamã cansada


Às vezes há dias que nos deixam assim... uó...
Mas depois ouvimos isto:

"-Mamã, mamã!"
"- Diz, filhote!"
"-'stamos todos na xala!"
"-Pois estamos!"
E depois, apontando para cada item enumerado:
"-Mamã, papá, TV, telefone..."
-"Pexas, lego..."
(pausa)
...
-"Coijas..."
-"Papel,  bola, pato, cavalo..."

Hahahaha! Não sabia o que era, mas não podia deixar de as enumerar!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sobre a arte de "ser do contra":

No meu folhear diário do mundo dos Blogues, vou estanto atenta a novos espaços, novas mensagens, outras opiniões, outras visões, outras formas de pensar e de se manifestar.
Tenho uma certa tendência para entrar em todos os que me aparecem pela frente e de uma maneira geral acrescento à lista de blogues seguidos, para voltar quando surgir o próximo post.
Por vezes, quando tenho tempo, vou aos arquivos e leio mensagens mais antigas.

Há blogues que me fazem perder a noção do tempo e devoro-os de uma ponta à outra. A ponto de, quando encontro o fatídico ponto em que já não há o link "mensagens antigas", sentir uma pontinha de desilusão: "Oooh... já acabou?".

Há blogues que... Fico assim... Na dúvida. E espero pelo próximo post.

Há blogues que começo por seguir sofregamente, mas que depois acabam por me cansar. E em geral, estes blogues são escritos por pessoas que apreciam o escárnio, a troça, a crítica destrutiva, o lifestyle "do contra". Não é que me soem falsos. Nada disso. Até acredito que a amargura e o descontentamento estão tão enraizados que já não conseguem ver o lado bom das coisas. E até acabam por soar a uma certa escrita para os outros... Uma escrita defensiva e que acaba por desinteressar por isso mesmo: pela constante "agressão" a que é submetido constantemente o leitor que a frequenta de forma assídua. É cansativo. E o negativismo, cuidem-se, é contagioso e viciante. Cuidado.

Mas as coisas têm um lado bom. Todas. Sem excepção. Pelo menos de acordo com os padrões de vida "ocidentais". E mais especificamente, europeus. E se há coisas que nos deixam descontentes, o melhor remédio é levantar o cú da cadeira e fazer alguma coisa acerca disso. Se não, perde-se o direito à queixa. Pelo menos para quem fala de barriga cheia. Se a "queixa" é relativamente à forma de escrever de alguém, por exemplo, é muito simples: não leia. Ou então faça uma crítica construtiva.

Se há coisa que não suporto é a crítica destrutiva. Pelo mero prazer de deitar abaixo. De escarnecer. Com um tom de superioridade que até através da escrita é inequivocamente perceptível.

Os blogues "do contra" aborrecem-me por isso. Porque se limitam a ser do contra, só para serem do contra.

Cada vez mais noto que os blogues onde mais permaneço são daqueles autores que os usam ou como diário pessoal, ou como ponto de tertúlia para discussão dos mais variados assuntos. Assumindo que são opiniões pessoais, mas aceitando opiniões diferentes. Os Blogues que mais me convidam a permanecer e/ou a voltar, são aqueles que manifestam uma panóplia de sentimentos e emoções. Porque sentir é humano. E manifestar-se feliz, triste, zangado, irritado, partilhar opiniões, ou a ementa do almoço ou o look de uma reunião de trabalho, é humano. Claro que há formas e formas de o fazer, mas de uma maneira geral, gosto da genuinidade e mesmo da ingenuidade de que estão imbuídos alguns dos blogues que frequento. E do espírito descontraído de outros. Bem como o ambiente familiar comum a todos os blogues que frequento e a que gosto de regressar.

Mantenham-se assim, porque o Mundo torna-se um lugar menos inóspito quando se sente que há ainda quem o veja pelo lado bom: não totalmente desprovidos de realismo, mas também não assoberbados de negatividade.

Venham daí as imagens idílicas (pictóricas ou descritas) porque esses lugares existem neste Mundo!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dúvidas

Dúvida existencial/supersticiosa do dia:

Se pensarmos numa coisa e depois nos dissermos a nós próprios que é melhor não dizer alto para não agoirar... Já é tarde demais, não é? O simples facto de termos pensado, já soltou o agoiro, não? Afinal de contas, corolário de um pensamento muito conhecido, se pensamos em algo, esse algo existe (bem como nós próprios), certo? E esta, hein? hahahaha ;-)

(imagem retirada daqui)