Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Conversas de criança: NÃO!

- L., queres sopa?
- Não!
- Carne e arroz?
- Não!
- Queres legumes?
- Não!
- Queres ir passear?
- ...

Caramba, tão pequeno e já sabe fazer guerrilha de argumentos... Não disse "sim", mas também mostrou que não estava a dizer que "não" à toa...
Escusado será dizer que acabou por comer tudo (e um belíssimo pêssego! Que também gerou uma bela história para vos contar hahaha). E depois foi passear para a sala, brincar. Nós aprendemos a dar-lhes a volta. No caso deste pirralho, e no que toca as refeições, é só não insistir e começar a comer. Ele quer logo comer também. hahaha

Temos que convir que se não fossem estas "guerrilhas", não tinha tanta piada ter um filhote de 27 meses... hahahahaha

sábado, 30 de agosto de 2014

Reflexão sobre a Educação (sensu lato)

Encontrava-me eu deambulando por aí, nas minhas pesquisas internautas quando me deparei com a seguinte frase (traduzida livremente do francês):

"Todos nós somos génios à nascença. Mas se formos julgar um peixe pela sua capacidade de trepar às árvores, ele vai passar a vida inteira a acreditar que é incompetente e estúpido".

Esta frase é atribuida a Albert Einstein. Não sei se será meeeeesmo. Encontrei-a por essa internet fora, e todos sabemos (ou devíamos saber) quão frequente é encontrar frases e pensamentos mal atribuidos por aí.

Adiante.

O impacto que esta frase tem é profundo, porque eu sou particularmente sensível à educação que damos aos nossos filhos de pela qual passámos nós próprios. De uma maneira geral, começamos a ser condicionados desde que nascemos, até que morremos, e a pressão externa desse condicionamento é crescente, de forma gradual. Eu diria que somos formatados para pensar de determinada forma. Somos "conduzidos", "guiados".

Atenção! Eu não sou, de todo, contra a orientação dos jovens cérebros. E há componentes mais "condicionantes" da Educação de cada indivíduo que são absolutamente indispensáveis. São essas componentes os valores éticos e cívicos, e também condicionantes comportamentais que nos permitem estar inseridos numa sociedade onde temos que interagir com os outros e onde a liberdade, integridade e individualidade de cada um é para ser respeitada. As regras sociais (pelo menos algumas) e os valores e padrões que nelas estão contemplados são inprescindíveis para que a vida em sociedade seja viável.

MAS!!!

Não estará o nosso sistema educativo demasiado focado para a formatação mental? Não se estarão a bloquear génios e pensamentos geniais, ao corrigir certas fantasias que temos quando somos crianças, ou ao "podar" a curiosidade infantil e juvenil de forma drástica apenas porque não sabemos como explicar algo que nos perguntam ou porque achamos que algo não é para a idade deles, ou porque não temos paciência? Temos uma certa tendência natural para querer fazer tudo conforme um padrão estabelecido por faixas etárias e queremos inculcar essa mesma "timeline" na nossa descendência. Isso será bom? Não seria melhor, em vez de bloquear à partida algum tipo de comportamento, tentar seguir de perto e, aí sim, tentar guiar no melhor sentido possível?
Não seria maravilhoso se em vez de tentarmos condicionar os nossos descendentes a algo que nós próprios visualizamos para eles (na nossa tentativa de os proteger), os deixássemos um pouco mais livres de escolher o que querem fazer com o seu futuro? Claro que isto dá muito mais trabalho, porque é necessário dar-lhes todas as ferramentas para que possam ter capacidade para rapidamente conseguirem "encontrar-se" naquilo que querem para si, de forma madura e responsável. É preciso uma dedicação muito grande para conseguir proporcionar um acompanhamento, sem condicionamento. Mas acredito que os resultados seriam extraordinários. :-) Sem desilusões, nem frustrações, porque não estaríamos a criar expectativas de concretização de sonhos que afinal, se calhar são nossos, mas não dos nossos filhos. Não estaríamos a julgar um peixe pelas suas inexistentes capacidades de trepar às árvores. Não é? E aos bons filhos, que tanto fazem para tentar agradar os pais, estaríamos a poupar a frustração de uma vida inteira por achar que é estúpido e incompentente porque não soube nunca ser o que os pais tanto queriam para ele. Porque afinal, ele era outra coisa. Creio que temos que confiar mais no nosso trabalho como educadores e dar um pouco mais de espaço às escolhas dos nossos filhos.